terça-feira, 26 de maio de 2009

Dignidade Acima de Tudo

Dignidade Acima de Tudo
Gonçalves Matsinhe*
Pensei em escrever uma carta à Dra. Maria Helena Taipo mas, logo, desisti da ideia. Tive receio que tanto elogio junto, principalmente em público, soasse a bajulação. E ela não precisa ser bajulada. Muito menos chantageada; mesmo que o agente chantageador seja o encarregado de negócios da Embaixada do país mais rico do mundo.

É bom que se diga e se enalteçam as boas acções. É bom que se enalteça a coragem de mandar dar uma curva aos amigos quando se comportam mal e pensam que podem nos jogar à cara a nossa pobreza, nos obrigando a violar a lei.

Cheguei até a considerar a hipótese de nem se quer me pronunciar sobre este assunto. A minha consciência de cidadão não me permitiu. Tenho para mim que ser pobre não é defeito; que ser pobres não nos torna indignos e/ou não merecedores de respeito por parte de quem, pretensamente, nos pretende ajudar.

A ajuda sincera não se compadece com intimidações. Precisamos de ajuda? É claro que sim. Em muitas áreas como é o caso da saúde e, especificamente, no tocante ao HIV/SIDA, acredito que somos deficitários em recursos financeiros e até humanos mas, tal escassez, tal necessidade, não é motivo para que nos queiram perfilados na praça pública a exibir as partes íntimas (gozar connosco como sugere o editorial do notícias da sexta-feira dia 22 de Maio), como parece sugerir, o digníssimo encarregado de negócios americano em Moçambique quando sugere que dobremos as leis e as metamos na lata de lixo em troca de uns quantos dólares e médicos de que, na verdade, precisamos.

É verdade que não é pelo número de vozes que se levantem para dizer ao Sr. Tod Chapman, que Moçambique é um Estado soberano (presumo até que ele saiba) que, tal como no país do sonhador Martin Luther King e do crente Barack Obama, tem suas leis e estas devem ser cumpridas, que ele (Sr. Tod Chapman) e os seus patrícios manterão ou deixarão de manter a intenção de nos “ajudar” nas áreas por eles identificadas. O desiderato de “ajudar” ou não será cumprido como consequência de uma decisão ponderada dos Estados Unidos da América enquanto Estado soberano.

Os Estados Unidos da América têm suas leis e mecanismos próprios de as fazer cumprir. Dura Lex Sed Lex, já diziam os outros; por mais duras que sejam as leis anti-terrorismo nos EUA que obriguem uma primeira-dama de um país africano a descalçar-se no aeroporto, nunca, apareceriam coros de protesto contra tal prática por, responsavelmente, termos noção que é de lei que aquele país soberano aprovou para se defender dos maníacos que o querem atacar. Por causa desse temor fizeram passar leis anti-terrorismo que obrigam a procedimentos específicos para quem os visita, incluindo primeiras-damas.

Nós também temos leis. Na nossa pobreza soubemos e sabemos aprovar leis que regulam diversos campos de actividade no país. Aprovamos leis que nos permitem saber quem são os estrangeiros que entram no país, a que vieram, o que fazem e onde e para quem trabalham. Temos igualmente leis que determinam o perfil de pessoas que devem trabalhar em determinadas áreas e as condições para que, legalmente, possam exercer essas actividades e determinam as condições de “certificação”.

Porque será que os americanos não querem ter a sensibilidade com as nossas leis? Porque cargas de água assumem eles que as leis que regem a contratação de estrangeiros, bem como aquelas sobre os requisitos básicos para determinadas actividades (como a médica por exemplo) não devem ser cumpridas?

Os procedimentos para a contratação de mão-de-obra estrangeira são claros. Qualquer instituição bem intencionada cumpre-os. Os agentes do Estado tem responsabilidade para com os moçambicanos e não só. Não se devem permitir passar por cima de leis e procedimentos que podem, inclusive, dar azo que nos apareçam sapateiros, mecânicos, espiões e mais como médicos e/ou nutricionistas, pondo, dessa forma, em risco a vida de muitos de nós.

A actual lei do trabalho beneficiou em muito do apoio americano. Não nos esqueçamos que na época da sua concepção, um dos parceiros sociais – a CTA – tinha como principal financiador a USAID e batia-se por uma lei mais liberal e potenciador do investimento.

Mas porque a lei do trabalho surgiu da concertação de três partes e não da imposição de qualquer delas, o resultado final pode não ter agradado, não só a CTA (e por arrastamento, os seus principais financiadores a USAID, uma agência do Governo americano), mas qualquer dos outros parceiros. Aliás, foi sempre notório o desconforto dos empregadores e de algumas pessoas ligadas a agências internacionais quanto ao produto final consubstanciado na actual Lei do Trabalho.

Deste modo, os pronunciamentos do Sr. Tod Chapman, para além de consubstanciarem chantagem e uma ingerência grosseira nos assuntos internos em violação de convenções sobre a matéria, podem ser enquadrados numa estratégia para dinamitar a lei do trabalho que, depois de muito investimento americano através da CTA, não saiu como estes pretendiam.

Mas, como diz o editorial do “Notícias” já referido acima, “há lobby para fazer mudanças” e seria legítimo que este fosse desencadeado mesmo com apoio americano. O que não é legítimo é ameaçarem nos como o fazem, tentando escapara à dureza da lei que não é só para os americanos mas é para todos os que, de alguma forma, pretendam contratar e introduzir no espaço interno qualquer cidadão estrangeiro para trabalhar.

Graças a Deus a Dra. Maria Helena Taipo não tem que engolir determinados sapos principalmente quando tais sapos são servidos no sentido de abrir excepções que se constituiriam em precedente mau para o país. Amanhã seriam os chineses e os cubanos a quererem nos “oferecer” milhares de médicos e dólares que poderiam, igual e legitimamente, pretender beneficiar do tratamento já dado a outros obrigando-nos, mais uma vez, a baixar as calças.

Graças a Deus, os moçambicanos percebem que a Dra. Maria Helena Taipo não nos está a castigar exigindo que a lei seja cumprida. Está até a proteger-nos. Está a ser responsável e até avisada no tratamento destas questões com aquele interlocutor. Não nos esqueçamos que o Governo americano emite regularmente relatórios acusando os nossos países, inclusive, de ilegalidades como as que, aparentemente, estão a tentar sugerir à Ministra do Trabalho.

Temos que concordar com quem disse que a flexibilização que se pretendia com a reforma da lei do trabalho que culminou com a aprovação da lei actualmente em vigor, não devia implicar, a ausência do Estado na regulação do trabalho. A situação que aqui se aborda é um dos exemplos, de entre vários, dos domínios em que o Estado tem que ser vigilante e actuante, em defesa da nossa soberania e dos nossos interesses enquanto nação.

Concordamos igualmente que a regulação e a presença do Estado nos termos afirmados acima, deve ser ajustada às realidades concretas. É um facto que temos escassez de médicos e, perante esta realidade concreta, o Estado deve, através das instituições apropriadas, criar condições para que os médicos, sublinhe-se médicos, devidamente certificados e acreditados exerçam a sua actividade em Moçambique. É isto que me parece que a Dra. Maria Helena Taipo está a exigir. Está a dizer: venham mas mostrem ser verdadeiramente médicos e não qualquer outra coisa, e os americanos não querem. Querem um aval imediato para, mais tarde, virmos a saber que um qualquer fulano afinal não é médico de nada, era carpinteiro na Nicarágua e teve a hipótese de ganhar uns trocados como medico e cá veio.

A Embaixada dos Estados Unidos está preparada e, de certeza, dispõe de recursos, tanto humanos como financeiros, para atender à burocracia e aos custos gerados pela lei actual através da sua gigantesca estrutura técnico administrativa. Ademais, tratando-se de um sector tão sensível como a saúde, e a necessidade de ajudar os necessitados, a burocracia inerente ao processo e os seus custos não deviam, para os americanos, ser insuperáveis.

Somos pobres sim, mas somos dignos.
* Publicado nas edições de 26-27/05/2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Coisas Sérias Ditas Meio a Brincar

Nos semanários "Savana" e "Domingo" que, religiosamente, leio semana sim, semana sim, delicio me com as rubricas "a hora do fecho" e "bula-bula". Invariavelmente, nesses dois jornais, começo sempre pela última página e por essas rubricas.

Mas não é sobre os meus hábitos e manias na forma como abro esses jornais que vim para aqui.

Devido ao carácter descontraído daquelas rubricas, se calhar, muitos não dêm importância nem relevância ao que ali se diz. Eu dou importância. No meio de uma piada que tem como substracto coisa séria, dizem-se muitas coisas sérias que deviam nos levar a reflectir sobre muitos fenómenos.

No último "Domingo" este semanário deu destaque à situação do Comando da PRM em Tete: como chegamos àquela situação? Como permanecemos daquele jeito? Que condições e que mensagem estamos a passar para os operativos que ali trabalham? Que o Estado se desleixou com as condições físicas e que eles também se podem desleixar? De que é que esperamos para dar-lhes condições? Que o Anibalzinho ao ser apanhado por aquelas bandas e "encarcerrado" por lá volte a fugir para darmos importância àquele património vital para o funcionamento de um departamento estatal tão importante como a polícia?

O "Savana" desta semana brinda-nos com esta: "Andam episódios estranhos nas Pescas que só encontram explicação na metafísica. Recentemente registou-se um roubo selectivo de material informático, com destaque para discos duros, nos Recursos Humanos. Funcionários impunes, após processarem salários fantasmas durante 16 meses. Dizem que até o gabinete do ministro não escapou a vassourada." É sério gente, e não é novo e nem se quer é a primeira instituição onde se dão estas coisas.

De que esperamos para pôr cobro a esta situação? Que nos roubem o próprio Estado? Existem back up's que nos salvaguardem apesar dos constantes roubos de hard disks? Existirá ou haverá algum plano de criar um arquivo centralizado do aparelho do Estado? Será que o Estado está tão vulnerabilizado que basta o furto de uns tandos discos duros para que a informação se evapoure?

Estou preocupado.

Estamos a entrar (ou já estamos) em período eleitoral e, seguindo repto do Júlio Mutisse, espero sinceramente que a Democracia funcione de facto e que seja mentira que os meus camaradas "nomeadamente os secretários da maçaroca preparam previamente os actores que vão fazer as intervenções." Seria, de facto uma "democracia bem complicada" ou quase nula.

Espero bem que ao abordarmos e discutirmos os temas fundamentais que julgamos serem importantes discutir em campanha ou que entrem na agenda política, não sejamos externamente mobilizados para os abordar mas, sim, que a nossa consciência nos diga que os devemos abordar.

Tenho dito. Um abraço e bom fim de semana a todos.

PS: Mapengo, escreva-me uma carta...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

O Gajo da Informática - E a Todos os Outros (Incluindo Juristas)

Descanso na Política. Almocei a falar ao telefone porque algumas pessoas, mesmo não sendo o assunto urgente, não quiseram me dar uma trégua; lá estavam a ligar-me em plena hora sagrada, destinada ao almoço e descanso. Abro meu email e dou de caras com esta mensagem que divido convosco abaixo.
O GAJO DA INFORMÁTICA
  1. 1 - O GAJO DA INFORMÁTICA dorme. Pode parecer mentira, mas O GAJO DA INFORMÁTICA precisa de dormir e descansar como qualquer outra pessoa. Esqueça que ele tem telemóvel e telefone em casa; ligue só para o escritório ou para o telemóvel entre as 09h00m e as 13h00 (manhã) ou entre as 15h00 e as 19h00 (tarde) de Segunda-feira a Sexta-feira. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de descansar aos Sábados, Domingos, feriados e NOS DIAS QUE INDICOU DE FÉRIAS.
  2. O GAJO DA INFORMÁTICA come. Parece inacreditável, mas é verdade. O GAJO DA INFORMÁTICA também precisa de alimentar-se e tem horas para isso, TODOS OS DIAS.
  3. O GAJO DA INFORMÁTICA pode ter família. Esta é a mais incrível de todas. Mesmo sendo um GAJO DA INFORMÁTICA, precisa de descansar no fim de semana para poder dar atenção à família, aos amigos e a si próprio, sem pensar ou falar em informática, impostos, formulários, reparações e demonstrações, manutenção, vírus e etc.
  4. O GAJO DA INFORMÁTICA, como qualquer cidadão, precisa de dinheiro. Por esta você não esperava, ah? É surpreendente, mas O GAJO DA INFORMÁTICA também paga impostos, compra comida, precisa de combustível, roupas e sapatos, e ainda consome xanax para conseguir relaxar. Não peça aquilo pelo que não pode pagar ao GAJO DA INFORMÁTICA.
  5. Ler e estudar também é trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada. Quando um GAJO DA INFORMÁTICA está concentrado num livro ou publicação especializada na net ele está a aprimorar-se como profissional, logo, a trabalhar.
  6. De uma vez por todas, vale reforçar: O GAJO DA INFORMÁTICA não é vidente, não faz tarôt e nem tem uma bola de cristal para adivinhar o que as outras pessoas pensam ou fazem. Se você julgou que era assim, demita-o e contrate um PARANORMAL, um BRUXO ou um DETECTIVE. Ele precisa de analisar, planear, organizar-se e que lhe expliquemDETALHADAMENTE o que é pretendido para assim ter condições de fazer um bom trabalho, seja de que tamanho for. Prazos são essenciais e não um luxo. Se você quer um milagre, ore bastante, faça jejum, e deixe o pobre do GAJO DA INFORMÁTICA em paz.
  7. Em reuniões de amigos ou festas de família, O GAJO DA INFORMÁTICA deixa de ser O GAJO DA INFORMÁTICA e reassume o seu posto de amigo ou parente, exactamente como era antes dele ingressar nesta profissão. Não lhe peça conselhos ou dicas. Ele também tem o direito de divertir-se.
  8. Não existe apenas uma 'listagemzinha', uma 'rotininha', nem um 'textozinho', um 'programinha muito fácil para controlar isto e aquilo', um 'probleminha, que a máquina não liga', um 'sisteminha', uma 'visitinha rápida (aliás, conta-se de onde saímos e até chegarmos)'. Assim, esqueça os inha e os inho (programinha, textozinho, visitinha) ', pois os GAJOS DA INFORMÁTICA não resolvem este tipo de problemas. Listagens, rotinas e programas são frutos de análises cuidadosas e requerem atenção, dedicação. Planear, organizar, programar com concentração e dedicação, pode parecer inconcebível a uma boa parte da população, mas serve para tornar a vida do GAJO DA INFORMÁTICA mais suportável.
  9. Quanto ao uso do telemóvel: o telemóvel é uma ferramenta de trabalho.Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda duvide, O GAJO DA INFORMÁTICA pode estar a fazer algumas das coisas que você nem pensou que ele fazia, como dormir ou namorar, por exemplo.
  10. Pedir a mesma coisa várias vezes não faz O GAJO DA INFORMÁTICA trabalhar mais rápido. Solicite. Depois, aguarde o prazo dado pelo GAJO DA INFORMÁTICA.
  11. Quando o horário de trabalho do período da manhã vai até 13h00m, não significa que você pode ligar às 12:58 horas. Se você só se lembrou do GAJO DA INFORMÁTICA a essa hora, azar o seu, espere e ligue após o horário do almoço (lembra-se do item 2?). O mesmo vale para a parte da tarde: ligue no dia seguinte.
  12. Quando O GAJO DA INFORMÁTICA estiver a apresentar um projecto, por favor, não fique bombardeando-o com milhares de perguntas durante a reunião. Isso tira a concentração, além de dar-lhe cabo da paciência.ATENÇÃO: Evite perguntas que não tenham relação com o projecto, tipo "Quanto custou o seu portátil?" ou "O que acha que devo comprar para o meu filho jogar em casa, um portátil ou um desktop?"
  13. O GAJO DA INFORMÁTICA não inventa problemas, não faz actualizações automáticas de Windows piratas, não tem relação com vírus, em resumo, NÃO É CULPADO PELO MAU USO DE EQUIPAMENTOS, INTERNET E AFINS. Não reclame! O GAJO DA INFORMÁTICA com certeza fez o possível e dentro da legislação em vigor para você pagar menos. Se quer fazer upgrades de borla, instalar programinhas giros, etc., faça-o, mas antes demita O GAJO DA INFORMÁTICA e contrate um PICHELEIRO.
  14. Os GAJOS DA INFORMÁTICA não são os criadores dos ditados "o barato sai caro" e "quem paga mal paga a dobrar". Mas eles concordam.
  15. Informática é referente a computadores (HARDWARE OU SOFTWARE e muito raramente, os dois ao mesmo tempo), e não TV's, telemóveis e electrodomésticos, etc. Portanto, O GAJO DA INFORMÁTICA não vai ensinar-lhe a mexer no telemóvel, reparar a sua TV, etc.
  16. Existem vários tipos de GAJOS DA INFORMÁTICA e cada um tem a sua especialização. Se você parte uma perna não vai ao oculista, pois não? Assim, se o GAJO DA INFORMÁTICA é especialista em software e programação poderá não estar muito à vontade sobre HARDWARE ou REDES e vice-versa para realizar um trabalho de qualidade, portanto não lhe peça para executar trabalhos nos quais não é especialista dizendo "você consegue fazer, para que chamar outra pessoa se você é mesmo bom nisto da informática.

Assinado eu (o GAJO DA INFORMÁTICA)

Abaixo assinado, Eu, O GAJO DAS LEIS (que também descansa)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Greve Geral - Estaka Zero - Uma Face Antiga da Intervenção

Anda-se de há uns tempos a esta parte a txunar-se o Azagaia como ícone dos desabafos (na visão de muitos) ou da música de intervenção/crítica na visão de outros.

Quero neste espaço começar a trazer a visão de outros. Não no sentido de compará-los ao Azagaia e nem de dizer quem é melhor que quem. Mas no sentido de desmistificar a ideia de que o Azagaia é o único.

Quando o Azagaia ainda cantava que “conheci uma Suzete, numa gala Jet 7, olhar discreto abanava o leque, perguntei o que é que bebe, um cocktail pedi a garsonet, disse lhe que gostava de Rap casinos e Internet, que vivia só numa flat,bla bla bla”, JÁ o ESTAKA ZERO cantava a música abaixo:


GREVE GERAL


Yea yea yea,

Liberdade de expressão! São os Guerreiros

Steve Biko, Eduardo Mondlane, Estaka Zero, Nelson Mandela

(2 caras)
O vento já não sopra do norte
A sombra da morte
É que persegue o pobre que se joga da ponte
E com pouca sorte
Procuramos arranjar maneira
De encontrar felicidade no meio de tanta miséria

Eu só queria um armário e uma mesa
Sou o operário da empresa
Que vocês privatizaram e o salário não chega
Hoje dizem que não precisam de mim
Tem uma máquina inteligente que fará todo o serviço por mim


(f… it)
Eu não quero seu salário de fome
Eu pego ma home
Eu sou o proprietário da home stream
Não importa se o primeiro ou o vice
Todos eles são folgados eu só quero meu dinheiro eu disse

Baixa a cabeça ponha essas mãos em cima
Empregado revoltado com o patrão da firma
Mão p’ra cima tenho os meus manos comigo
Se te armas em esperto acabo contigo

Coro,

O que é que fizeram que se possam orgulhar
Muitos anos de poder só nos sabem roubar
Vendo o povo na miséria não podemos calar
Heeeeeeeeee é a razão desta greve geral (2x)


(N’Star

Falaram de amor
Acabariam com a dor
E para todo trabalhador
Futuro melhor

Melhor para quem se para nós está como de antes
Só melhorou no elevado número de traficantes
E o que fazem só nos tem criado revolta
Prendem inocentes criminosos andam a solta
Resultado: a cada dia morre alguém
Que tentava numa esquina proteger o seu bem

E eles dizem o que sempre dizem e só dizem
De promessas estamos fartos queremos que concretizem
So querem saber de Money o povo que reclame
Enchem suas barrigas e o povo que se dane

Eu lamento por todos que estudam por um futuro melhor
Mas não tem condições para fazerem o ensino superior
Diz me, mas diz me com sinceridade,
Quem incentiva a corrupção e a criminalidade
Come on

Coro

(Jay P)

Nos hospitais as filas são assunto sério
Já comecei a pedir boleia para o cemitério
É o ministério que tutela por isso
E não dá conta disso
Não quer assumir o compromisso

É o estigma do SIDA
Que deixou desaparecida
Aquela esperança que existia de vida

E há mais
Se tu és pobre nunca jamais
Adquiririas os compromidos anti-retrovirais

Se o seu marido nem emprego tem
Quando voltou da Germany tinha cem
Uma MZ, RFT e um CD MilMar e um Schneider também

Quando sai de casa pega no chapa
Vai para casa buracos que estão na estrada
Direcção é a praça desemprego que ataca
O transporte é Timaka e a saúde que falta
De norte a sul a fome que mata
Pela TV vejo o holocausto vejo o fim
E um político de gravata que mente para mim
E peço o que fizeram que se possam orgulhar?

Coro


Porque, uns, recusam em reconhecer ou ver que há outros com "méritos" nesta coisa de "música de intervenção"? Será por serem boa "bandeira" e outros não?

terça-feira, 17 de março de 2009

Quantas Fórmulas Existem para Analisar um Fenómeno?

Quando em serviço ou lazer me vejo na condição de ter que sair dos centros urbanos para zonas com difícil conexão à internet, uma das coisas que mais falta me faz é o frenesim dos debates na blogosfera. Isso é assim porque aprendo muito por aqui.

Quando em meados de Fevereiro me embrei, de novo, para o Moçambique real, uma das coisas que mais se discutia em quase todo o lado era a violência doméstica cujo expoente, na altura, era um conhecido músico que, supostamente, espancou a esposa grávida de 8(?) meses.

Depois vieram as SMS's e os emails anunciando "um caso mais grave" de um conhecido empresário que espancou "gravemente" uma namorada (o que nos leva a concluir que era "namorada" e que não era assumida pelo tal empresário como verdadeira esposa?). Nos emails que publicitavam este caso, o que mais me intrigou foi a ênfase que se deu à qualidade de "colaborador" do Presidente da República ao referido sujeito.

Não sei ao que vinha esse facto quando, a questão fundamental, era a da violência doméstica. Fiquei sem saber se a qualidade de "colaborador" do Presidente da República por si só afastava o indivíduo em causa de qualquer desatino que desemboque em violência seja ela qual for. Mas isso não vem ao caso.

O caso é que, nos dois casos, as condenações vieram de todo o lado, o mediatismo de um tratou de tudo e a mediatização do caso do "empresário" funcionou como linchamento da sua personalidade, antes mesmo de um juiz, em sede de julgamento, sentenciar condenando qualquer um deles.

A opinião pública, num dos casos, com ajuda de quem deve defender a legalidade enquanto defensor da legalidade e dos direitos humanos, tratou de condenar o homem. É que a presunção de inocência é de lei; e não de qualquer lei.

Numa conversa durante o fim de semana, na minha condição de jurista, e aproveitando os ensinamentos que venho tirando da blogosfera, numa roda em que o caso do músico foi aflorado, aproveitei para questionar: vocês não admitem a hipótese de as coisas terem se passado diferentemente?

A resposta foi um NÃO redondo. Houve quem avançasse que houve um pedido de desculpas do dito cantarino. Foi se acrescentando que a minha condição de Homem, e por passar muitos tempos no Guijá, Chicualacuala, me impelia a entender o tipo e a tentar justificar as suas atitudes.

Perguntei de que é que o cantarino se tinha desculpado, se da violência ou das causas que levaram a tal. Ninguém me disse nada sobre a questão.

Inspirado pelos argumentos que se seguiram sugeri que não me cabia justificar a atitude do homem mas, também, era importante tentar perceber, o que o levaria a cometer aquele desatino. Simples antipatia pelas amigas? Simples capricho de a querer ver só? Será o indivíduo desiquilibrado a ponto de aquecer água para "aquecer" as amigas da esposa? Para não ser acusado de "justificador" e parcial avancei num sentido diferente do que certos Homens presentes avançaram afirmando:

(i) imaginem que, reconhecendo as fraquezas da carne o homem tenha dito a mulher: "querida eu te adoro mas, por favor, não traga estas suas amigas cá para casa se não vão nos criar complicações, a carne é fraca."

(ii) imaginem que, num desses dias, o homem volta depois de uma jornada de trabalho, encontra a sua querida esposa com "aquelas" amigas, vai para dentro de casa e, em reconhecimento de que a mulher está "nos últimos dias" de gravidez, como bom marido, prepara ele próprio a água para o banho.

(iii) imaginem também, que como bom esposo, ele chama a esposa e lhe chama atenção da conversa havida dias antes sobre "aquelas" amigas, e esta se exalta e profere palavrões, por exemplo do género, "ainda que fosses homem".

(iv) o tipo irado com aquelas palavras, e com a desobediência da mulher com relação ao assunto "daquelas" amigas, não se controla e dá 1, duas, bofetadas a esposa (reparem que o bebé nem estava em risco o que significa que o espancamento foi cirúrgico).

(v) imaginem que "aquelas" amigas, sejam daquelas que não respeitam a ideia de que em "briga de casal não se mete colher" intervenham e "caiem em cima" do pobre moço, que impotente perante a ira, para se defender do ataque feroz da turma, recorre à panela com a água que se destinava ao seu banho e joga na direcção daquelas amigas.

Se pensássemos assim a conclusão seria a mesma? O que se seguiu foram tentativas de justificação.

Não digo que as coisas se possam ter desenrolado assim, mas porque corremos logo para diabolizar o homem sem, antes, pensarmos que as coisas podem não ser como as amigas contaram? Porque não se colocar no lugar do tipo e acreditar que ele não seja maluco para, do nada, proibir amizades da esposa, aquecer água e deitá-las etc?

Não se trata de tentativa de justificação da violência cometida (que é condenável sempre) mas, uma chamada de atenção para não corrermos para condenações quando dispomos de poucos dados e só conhecemos a história de uma lado e nem se quer estamos preocupados com o que pode ter acontecido e com o que pode ter levado àquela situação.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Haverá (mesmo) Algo de Errado com África?

Viva Companheiros. Cá estou eu, neste espaço, pela primeira vez neste 2009 que quase consumiu dois meses. Que fazer? Quando se vive e trabalha lá onde muitos só conhecem pelo "Ver Moçambique" acaba dando nisto. Mas cá estou eu. Sejam felizes no que resta (e não é pouco) de 2009.

Já viram o título? É provocador. tão provocador como publicar a "correspondência" de muitas pessoas aqui. Pois então, o que reproduzo abaixo é resultado de uma troca de emails a que fui copiado. Achei o email restritivo demais por isso trago o debate para aqui.

Pensei nisso ao ler Construção selectiva da “realidade”! de Patrício Langa e O direito à razão XX "Do medo das consequências" e outros textos recentes de Elísio Macamo.

HAVERÁ MESMO ALGO DE ERRADO EM ÁFRICA?

Email 1 (de PC Mapengo para Júlio Mutisse e outros)

Parece uma brincadeira, mas muitos países africanos estão relacionados a isto:

Há 29 anos, Dos Santos (José Eduardo) tornou-se presidente e Reagan estava na presidência, Obama tinha 15 anos.

29 Anos depois, Dos Santos continua na presidência e Obama chega a presidência onde estava Reagan.

Há 29 anos que o pai de Obama faleceu, tivemos Reagan, Bush pai, Clinton e Bush filho nos USA como presidentes por 8 anos cada mas em Angola a mesma pessoa nos seus 60's e continua a tentar convencer os Angolanos de que pode introduzir modelos de desenvolvimento do pais.

Isto deveria fazer-nos reflectir? Alguma coisa esta seriamente errada com África!!!!! Algo esta errado comigo & contigo também!!!!!!!!! (destaque e sublinhado meu)

Email 2 (de Júlio Mutisse para PC Mapengo e outros)

Quem te disse que o que serve nos EUA deve servir para nós em África?

Quem te disse que os modelos ocidentais são "transladáveis" tal e qual para África e Angola em Particular? (ainda por cima és historiador).

A pessoa que escreveu isto está cansada do pobre do Zé Du. Estarão os angolanos, na sua maioria, cansados?

Não haverão sinais da capacidade inovativa deste homem em angola?

Deixemos o Zé Du para lá:

O que deixaram para trás, o Reagan, Bush pai, Clinton (este tentou brincar as guerras e foi humilhado na Somália) e o Bush filho? Flores por todo o lado?

Porque temos que lembrá-los apenas (destaque e sublinhado meu) pela alternância no poder e não pelo rastro de destruição que causam um pouco por todo o mundo?

Porque não lembrar essa gente que fica pouco tempo mas é capaz de deixar o Iraque, Afegenistão, Bósnia, Líbia, Somália como as deixaram?

Porque temos que DIABOLIZAR OS NOSSOS LÍDERES TENDO ESSES COMO EXEMPLO? (destaque meu)

Querem me dar bons exemplos? Citem me o Botswana ao menos, mas ao mesmo tempo me digam como é que a maioria de uma populaçãozinha que não encheria Maputo está infectada pelo HIV.

Email 3 (de Júlio Mutisse para PC Mapengo e outros)

Caros camaradas copiados,

A ideia com a minha resposta abaixo (neste caso acima, GM) não era violentar o bom do meu irmãozinho Mapengo e muito menos desculpabilizar a mania do poder perpétuo que caracteriza as lideranças de muitos países africanos. (destaque e sublinhado meu)

O objectivo é despertar o nosso sentido crítico em relação as coisas que nos são dadas a consumir e a reencaminhar.

De certa forma, com um email como aquele, somos todos obrigados a condenar/diabolizar o Zé Eduardo dos Santos e a bater palmas a alternância no poder nos EUA de forma acrítica.

O essencial do que devemos, de certa forma, questionar se quisermos diabolizar nossos líderes consta do meu email abaixo. Na questão dos anos no poder, Porque temos que lembrar, o Reagan, Bush pai, Clinton e o Bush filho apenas pela alternância no poder e não pelo rastro de destruição que causam um pouco por todo o mundo? O que deixaram para trás? Flores por todo o lado? Porque não lembrar essa gente que fica pouco tempo mas é capaz de deixar o Iraque, Afegenistão, Bósnia, Líbia, Somália como as deixaram? Porque temos que DIABOLIZAR OS NOSSOS LÍDERES TENDO ESSES COMO EXEMPLO?

São coisas pequenas, que de email em email fazem com que olhemos para África como o próprio inferno cheio de diabos, em contraposição com o outro lado onde moram os anjos.

As lideranças mundiais do presente e do passado têm os mesmos pecados que as nossas têm porém, com subtilezas como as do email que comento, vão nos fazendo acreditar que somos os tais podres, aqueles que fazem sempre o errado. (destaque e sublinhado meu)

Vamos lá mostrar que somos inteligentes. Este email de desculpabilização do meu email anterior já vai longo. Os dedos começam a fazer comichão para eu questionar sobre a essência do tribunal de Haia, onde qualquer Bush/Blair africano iria se só tivesse bombardeado coqueiros na Zambézia ou em Inhambane mas para onde o Bush/Blair americano/ocidental não vão apesar de tudo o que assistimos pela TV no Iraque e apesar de terem assumido que tudo aquilo foi causado por um equívoco. Queria eu ser o Charlles Taylor, Jean Pierre Bembá, o El Bashir e tantos outros e ouvir uma coisa dessas e não ver esses dois lá.... mas como já disse não vou comentar.

E, pelo que vi, muitos dos copiados neste email são jornalistas, escrevem e reproduzem com fidelidade o produto CNN sem nunca pararem para pensar nestas subtilezas. S

ejamos críticos... não repassemos ingenuamente emails, nem reproduzamos palhaçadas que só servem para minar a nossa confiança com as lideranças presentes e futuras dos nossos países (com muitos defeitos, muitos incapazes e vazios como os há lá do outro lado).

O juízo de valor que fizermos das nossas lideranças e das dos outros não pode centrar-se apenas no nº de anos do poder, tem que centrar-se nos seus feitos.

Email 4 (José Armando Estrela reencaminha para outros o conteúdo acima)

Email 3 (de Júlio Mutisse para José Armando Estrela e outros)

José,

Repassaste meu email acriticamente também. Os destinatários a que enviaste, das duas uma, ou vão pensar que estou coberto de razão (e não é isso que me preocupa) ou que estou sem ela (também não me preocupa muito).

O que quero é que não sejamos consumidores passivos de certas coisas, que sejamos críticos inclusive em relação ao que eu próprio digo abaixo.

Note que Angola aparece apenas como mote para esta questão já que não sou daqueles que pode falar com propriedade sobre o país.

Mas o exemplo de Angola multiplica-se um pouco por todo o lado em África e, nós como africanos, temos que poder ver para além do número dos anos (o erro nem está em 5, 10 ou 20 anos) mas se o povo se revê na liderança que tem e se esta (a liderança) responde os seus anseios.

Um abraço do índico. A cidadania faz se de pequenas coisas como essa.

HÁ OU NÃO?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Qual é O Papel de Um Porta-Voz?

Companheiros, O “Debate Aberto” da STV, de ontem e a “actuação” patética de Fernando Mazanga, fez me concluir que sou ignorante sobre o papel do porta-voz, seja do Governo, de um ministério em particular e, inclusive, dos partidos políticos.

Até a hora de dormir me questionava:

  • Qual é o papel de um porta-voz?
  • Qual é a sua utilidade no contexto das organizações políticas?
  • O que é que veicula?
  • O porta-voz é uma caixa-de-ressonância ou é aquele que apaga o lume informando, esclarecendo mal entendidos e ajudando a buscar consensos?

Confesso que não tive resposta e como a pior vergonha seria manter-me na ignorância, cá estou a perguntar: Qual é o papel de um porta-voz? Que utilidade têm indivíduos como Fernando Mazanga na estratégia de comunicação, na união de grupo que se pretende nas organizações políticas?

De qualquer forma, me parece que estas entidades diagnosticam problemas e necessidades na área de comunicação, levanta oportunidades e prescreve soluções, acompanhando todas as etapas desse processo com o uso dos produtos e ferramentas mais adequados a cada momento, nomeadamente:

  • Relações com a mídia
  • Planeamento
  • Capacitação
  • Publicações
  • Etc

Entendo que o porta-voz deve desenvolver uma estratégia, baseada na visão estratégica da comunicação e no tratamento cuidadoso da informação e sua divulgação.

O porta-voz deve contribuir para consolidação da imagem da instituição que representa (nunca o contrário) e para a difusão de idéias, questões e conceitos, incorporados no dia-a-dia da instituição.