terça-feira, 1 de setembro de 2009

Uma Implosão De Vídeo

Pede-se me estas duas linhas para falar do trabalho de MC Roger. Escrevo, apenas para colocar os meus ponto de vista acerca do que é o seu novo video clip gravado no Brasil, cujo título se não me egano é “superstar”.

Repito, escrevo para falar do trabalho de MC Roger, apenas (desculpem, mas talvez um dia percebam a necessidade desta repetição)

O MC, sabe fazer marketing não haja dúvidas. Marketing agressivo até. Pois, foi com o seu marketing, que soube que ia ao Brasil gravar o seu mais recente video clip.

Conhecendo a marca dos vídeos deste “entreteiner” feitos no solo pátrio, o toque de qualidade que está habituado a cunhar-lhes, o gosto pela exloração de paisagens e de cores vivas, pensei comigo: vem aí uma bomba de vídeo.

Mesma bomba que encontrei um dia no vídeo “patrão” e nos demais que caracterizam o MC.

Esperava e honestamente, um MC a começar o vídeo com uma caminhada no calçadão moçambicano, exibindo a não menos bela praia de Costa de Sol, mostrando as nossas lindas mulheres, nossas belas paisagens que sempre irradiam a nossa vontade de viver e nosso estilo próprio, e que, essa caminhada, terminasse no calçadão brasileiro.

Esperava que o MC caminhasse num à vontade no morro, que cumprimentasse as “mamanas baianas” e linkasse essas imagens com as das “mamanas do mercado de peixe” e/ou do mercado da baixa.

Mas não, MC Roger anunciou uma viagem a Brasil e mais, fez estreia do video com Ministros a mistura, para fazer e mostrar um clip a volta de uma piscina!

Até os miúdos cá da praça que gravam com as suas próprias economias, para as próprias namoradas, para ficarem conhecidos no seu quarteirão, já evoluiram deste tipo de cenário.

Que se diga, casas com piscinas, existem aos pontapés na Cidade de Maputo e em qualquer Bairro, daí, não perceber o que tenha levado o MC ao Brasil para gravar um clip exclusivamente numa piscina.

Não me quero substituir ao realizador e/ou produtor deste vídeo (lembrar que o MC, diz ele e não duvido, participar activamente na produção dos seus clips), mas, analisando o ângulo que se aponta a câmara a piscina e as meninas (que se diga ao bom jeitinho brasileiro), podia até pôr em causa, se este clip, foi ou não gravado no Brasil.

É que, caras brasileiras (como as que aparecem no vídeo clip), pode-se achar em Moçambique, mas um calçadão, ou um Cristo Redentor, o Morro, não se acham em qualquer parte senão no Brasil e se, o sonho de MC (e sei que é esse), é explodir para além do Moçambique, um clip com imagens ilsutrativas do Brasil só o ajudaria e muito.

E que se diga, mesmo que o MC fosse péssimo artista, encontraria a atenção primeiro dos brasileiros que veriam o seu pais reflectido no estrangeiro, e segundo, dos demais, que admirariam um facto de alguém de uma país tão longíquo e em vias de desenvolvimento, ter tido um orçamento que o permitisse gravar fora.

Penso que nem o dono da psicina que se fez o clip, se não o dissessem saberia que aquela piscina era dele!

O MC, cometeu neste clip erros primários de marketing, reduziu com este clip, o seu trabalho de anos, não soube se igualar a ele, resumindo, foi seu próprio adversário, num jogo em que tinha tudo para ganhar ou melhor “calar a boca” dos seus detractores (como sabe fazer e bem).

Este clip, foi ao meu ver uma verdadeira implosão, uma decepção de clip, cujo alento, encontrei no clip de Lisa James (que ainda não vi por inteiro, mas só das partes que se exibem da publicidade, o cenário é bem diferente), creio gravado nos States, aliás, não creio porque as imagens falam de per si.

Um tiro certeiro no seu próprio pé e na autoridade que diz ter no marketing.

Mas este é o meu ponto de vista.

Gonçalves M.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ANIBALZINHO: A Quem Pertence Este "Cão"?

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A Quem Pertence Afinal Este Cão?

O fenómeno Anibalzinho desobriga-nos ao silêncio. É de facto difícil ficar alheio ao fenômeno entra e sai dos calabouços por parte deste.

Facto assente neste processo, é que o Aníbal foi sempre tirado de onde sempre esteve a guarda e da última vez com direito a acompanhantes: Samito ora detido (também recapturado) e Todinho (encontrado morto e a polícia a revendicar que o tenha abatido mortalmente).

Facto que se pode considerar também assente, é que as ordens de tirada de Aníbal, partem de dentro da estrutura do Ministério do Interior e/ou do Comando Geral da Polícia, sendo incisas as dúvidas de quem em concreto e com que interesses o faz.

De toda as formas, todas as vezes que o Anibal presumivelmente se evadiu, foi sempre recapturado e ao meu ver, a recaptura, demonstra que o Estado nunca se conformou com as suas saidas, tampouco, com a vantagem que estas saidas podem representar a quem interesa; é que, interessando ao Estado o sumiço de Anibalzinho, seria numa destas saidas que não mais voltaria, ficando sempre a dúvida se morrera ou sobrevivera.

Esta tarefa, que se diga seria facilitada, com o desaparecimento físico da mãe deste, pessoa que por fora, fazia e era suposto, fazer qualquer tipo de pressão, pois, para a opinião pública, não seria difícil de digerir, a morte de Aníbal em uma até “forjada tentativa de fuga logo a captura”, porque, só quem não quís ver, no acto do julgamento do caso Cardoso, a personalidade delinquente e o grau de perigosidade do mesmo.

A recaptura deste, é para mim, um sinal de não alinhamento de algum sector da corporação e maxime do Estado, que sempre teve e bem assente, que o pais, não podia ficar refém de um simples “cão” que se sabe ter sempre um dono.

E a questão que não cala: a quem pertence aquele cão?

Deve e há de pertencer, a quem ganha louros com as saídas aerosas e contrapartida de desprestígio de toda a máquina estadual, há de sempre pertencer a quem quer fazer passar a imagem de quem realmente tem o controlo da máquina policial, do recrudescer da criminalidade, da declaração de falência da máquina estadual, da inactividade da nossa polícia, e/ou, por qualquer outro motivo incofessável.

Facto, é que o problema não é o Aníbal em si, mas sim, de quem se serve do mesmo para fazer passar a sua agenda;e afinal quem é esta pessoa(s)?

Reside o problema, nas pessoas que o tem sob controle, porque acredito e os factos o apontam, Anibal não teria de per si capacidade para montar a superstrutura que sempre se monta quando ele tem que sair da cadeia.(é só ver a questão do passaporte usado encontrado na sua posse, que segundo a polícia, foi produzido, na altura em que esteve ainda detido, e mais, as luxuosas residências onde costuma ficar na Africa do Sul, a facilidade com que se movimenta, basta lembrar, que da primeira vez, foi preso em Canadá e sem os descontos enganosos que as agências de viagem nos presenteiam em seus spots publicitários).

É só ver que desta última vez teve direito (e para melhor simular uma situação de fuga) a acompanhantes, peões no jogo que se montara com toda a perícia.

Urge descobrir quem está por detrás da acção do Aníbal, porque assim descoberto, até as simples e transtórias celas das esquadras que são trancadas por simples cadeados “made in china” seriam lugar seguro para o guardar.

Como alguém já disse, combater o Anibalzinho, o instrumento, não basta. Há que combater quem o maneja. Como disse um dia o antigo Deputado o Dr. Teodato Hunguana, a única forma de evitar que o Estado caia definitivamente nas malhas do crime organizado que, amiúde, nos brinda com estas tiradas e retiradas do Anibalzinho, é desencadear uma guerra sem quartel contra os mentores da alta criminalidade, neste caso contra os mentores das sistemáticas fugas de Anibalzinho e, também, dos seus executantes ou instrumentos.

Correr atrás de Anibalzinho sempre que fuja sem fazer nenhum trabalho para parar quem, de dentro da própria instituição estadual se dedica a fazê-lo sair significa, na acepção do Dr. Hunguana, manter intactas as fontes de reprodução as fontes da sua reprodução, fontes que se tornam cada vez mais poderosa e capazes de se apropriarem do próprio Estado.

A quem pertence afinal este cão?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Da apologia ao colonialismo à psicose da negação: o pensamento de Philipe Gagnaux

Esta carta foi publicada no jornal "Domingo" último. Não conheço Michaque Matsinhe, seu autor, mas isso pouco importa. A verdade é que, em muito do vertido nesta carta, estou plenamente de acordo com ele.

Da apologia ao colonialismo à psicose da negação: o pensamento de Philipe Gagnaux

Michaque Matsinhe

Não escreveria esta carta não fosse por ter nutrido durante algum tempo, alguma simpatia pelo exercício de cidadania que o Dr. Philipe Gagnaux vinha exercendo como concidadão. Não vi de outra forma o seu envolvimento de liderença no movimento “Juntos pela Cidade” senão como o exercício de cidadania na nossa democracia em crescimento, com as suas naturais vicissitudes.

Todavia ao assistir o último programa do domingo sobre a resenha da semana na estação televisiva da Soico, onde a sua intervenção se resumiu numa apologia ao colonialismo e à negação do valor da luta armada de libertação nacional como condição determinante do processo de descolonização em Moçambique. Esta intervenção foi prontamente apoiada por um dos seus parceiros no debate, neste caso o Deputado da Renamo António Mulhanga que, não ocasião, louvou entusiasticamente o “grande amor dos portugueses” pelo povo moçambicano, factor que, segundo este estranho personagem sintonizado com Gagnaux, esteve na origem da nossa independência. E não a luta armada, visto que esta foi protagonizada por aventureiros e oportunistas que queriam simplesmente chamar à atenção no caso de a bondade e o amor dos colonialistas se decidisse manifestar. Esta estanha posição, de parte do Dr. Philipe Gagnaux, remeteu-me a um profundo desapontamento e revolta visceral como neto de escravos e de avós trabalhadores em regime de chibalo. E, conhecendo seus antecedentes genealógicos progressistas e pensamento, hoje levanto duas questões centrais:

Há quanto tempo Ganhaux nos engana sobre a sua defesa da moçambicanidade e construção da Nação Moçambicana? Ou será que as suas afirmações, simplesmente retratam uma psicose política de negação a tudo, não importando os factos ou sua distorção, bastando que seja algo inerente ou relacionado com a Frelimo?

Vou tentar desconstruir a aberração histórica e humilhante com que Ganhaux afronta ao nosso Nós, identidade moçambicana, independentemente da cor, raça, religião ou etnia, edificada com sangue e não com a “oferta generosa e amorosa”, resultante de uma descolonização durante a qual os portugueses, presumivelmente, teriam acabado por nos dar a Independência de bandeja e por vontade própria, segundo o nosso bom Doutor.

O pensamento de Ganhaux revolta porque ao mesmo tempo que “indirectamente” usa os pressupostos de Salazar na sua relação com as Colónias, legitima os argumentos dos finais da década 50 substanciadas em Humberto Delegado e reforçadas pela elite colonial portuguesa na década 70, para negar a independência de Moçambique. Por conseguinte: Não foram os moçambicanos que registaram na sua história que, quando Portugal se tornou membro da ONU em 1955 recebeu ordens para conceder a independência das colónias mas que contra essa ordem declara que todos os habitantes das suas colónias eram cidadãos portugueses e passa a designa-los por províncias ultramarinas, mantendo-se irredutível, lançando com seu estado novo a aceleração da desgraça e massacres sobre os moçambicanos.

Dr. Gagnaux, foi a elite portuguesa que negou a descolonização pacificamente solicitada, alegando que o Preto não estava preparado para se governar e que de forma intemporal era preciso dar-lhes tempo e ensinar-lhes a se governarem.

Façamos uma viagem pelo tempo Doutor. Onde é que o Sr, e milhares de nossos pais deveriam ter ficado sentados à espera da gratidão e e do amor dos colonos, alegado por si e por António Mulhanga, que eventualmente levaria os colonialistas a dizerem: agora sim esses pretos já estão maduros, merecem ser independentes?! Será que acredita no que diz, ou porque na psicose da negação da Frelimo isso é de bom-tom? Parou para pensar que colonialismo não é só antónimo de Frelimo? Mas sim é sinónimo de humilhação, despotismo, racismo, atraso premeditado e propositado dos negros, dominação, massacres, e atraso do habitante da colónia? Ou as vicissitudes inerentes à construção democrática e a sua negação normal, legitima como cidadão contra a ideologia vigente e processos de governação, são razão suficiente para dizer que não devíamos ter ficado independentes?

Por último: Não estive na luta armada. Mas em conversas privadas sobre estórias de vida de alguns combatentes, muitos deles anónimos, no final é sempre de limpar lágrimas teimosas. Não estou sequer a falar do valor histórico, mas dos indivíduos, que não tiveram juventude, não crescerem como homens e mulheres normais. Desvalorizar a luta armada como condição da descolonização, ignorar que a luta armada, no Conjunto das colónias foi o oxigénio que insuflou as condições sociais e políticas para o surgimento do 25 de Abril, Dr. Isso é duplamente uma miopia.

Este 25 de Abril que não surgiu devido ao “amor dos colonialistas” como o Dr. Gagnaux e Mulhanga alegam, mas sim da derrota dos portugueses no teatro das operações em Moçambique, na Guiné e em Angola. Os oficiais portugueses que promoveram a Revolução dos cravos estavam cansados de ver seus camaradas morrerem e ficarem estropiados por causa duma guerra que, no fim, consideraram injusta. O Movimento das Forças Armadas nasceu do calor cada vez mais incandescente da luta dos nossos povos caro Dr. Da luta dos Africanos que a ideologia racista do colonialista insistia em não reconhecer nenhuma capacidade. Suas declarações, Dr. Gagnaux, nos lembram esses tempos de aviltamento que a luta de libertação nacional ajudou a redimir. É facto histórico que, mesmo o “amoroso” regime saído do 25 de Abril procurou, na fase inicial das negociações com a FRELIMO, utilizar uma dupla técnica segundo a qual, publicamente, afirmava condenar e rejeitar a hedionda herança colonial, quando no segredo da mesa das conversações se esforçava por encontrar novas fórmulas destinadas a perpetuar o colonialismo. Pública e solenemente a delegação portuguesa reconhecia a natureza criminosa do colonialismo, aceitava a responsabilidade pelos crimes e massacres colonialistas e até homenageou a memória de Eduardo Mondlane. Na mesa das conversações, porém, a delegação portuguesa vinha propor precisamente, os mesmos esquemas que Marcelo Caetano havia já proposto.

A obstinação portuguesa forçou o conflito a prolongar-se, provocou novas derrotas ao exército colonial, acelerou o processo do colapso – sim, Doutor, COLAPSO - do exército agressor. As derrotas sofridas pelo colonialismo destruíram as manobras políticas que os “amorosos” governantes pós 25 de Abril fomentavam para obstruir a independência de Moçambique.

E mais. Podemos até problematizar as zonas libertadas como o faz. Mas negar as zonas libertadas como espaço de utopia social e política, de construção de uma nova sociedade com base num novo começo, é negar sem apresentar argumentos que a Frente de Libertação de Moçambique era muito mais que um Movimento Rebelde, similar aos criados no tempo do Apartheid, que começaram por destruir tudo e todos e no final procuraram construir uma pseúdo ideologia. Dr, é isso que está a comparar?

Dr. Discutir e reivindicar espaço legitimo de minorias, explicitamente ou implicitamente, como o Doutor e muitos outros o fazem, não passa por desvalorizar outros grupos, e muito menos humilhar os combatentes que deram o seu generoso sangue para a materialização da derrocada do colonialismo. Deveriam ter se mantido pacientemente no lugar de serviçais? Manter-se analfabetos? Confirmar o ensino ‘amoroso” dos colonialistas de que eles eram incapazes? Está, em conluio com o seu aliado de circunstância António Mulhanga, a insinuar que a grande maioria dos moçambicanos nunca deveria ter saído de onde os colonos os obrigaram a estar? Para ficar quem no lugares deles? Alguma nostalgia?

E desenganem-se os que pensam que as bizarrias do Dr. Gagnaux são apenas uma chapada à FRELIMO. As palavras de Gagnaux são uma agressão e uma negação à moçambicanidade.

O meu abraço e solidariedade aos combatentes de libertação nacional. Mais do que manda-los de volta às suas aldeias, devíamos honrá-los muito mais.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Descanse em Paz Dzovo, Lutaste

Meu caro Gonçalves,

Espero que o que me pedes que faça não se compare a um elogio fúnebre. Não sei escrever elogios fúnebres. Também não sei se é possível escrever um elogio fúnebre para alguém que permanece comigo.

Não se trata de recusar a realidade que é a morte de alguém que me é querido, alguém que me adoptou como seu filho, fruto do meu casamento com sua filha. Não é nada disso.

É, antes, o reconhecimento de que pessoas como ele, sobrevivem a morte, eternizam-se nos corações das pessoas que o conheceram e valorizam as múltiplas virtudes que tinha, em detrimento dos defeitos que tinha. É que ele tinha defeitos de facto. Afinal estamos a falar de um ser humano que age, erra, acerta, canta, chora e dança e não estamos a falar de um Deus.

Se disser Cândido Jeremias Mondlane viverá nos corações de cada amigo, familiar, companheiro, camarada e de todos os que valorizam os seus feitos, se calhar, não estarei a ser original. Isto foi dito quando um certo companheiro seu morreu, já lá vão alguns anos. Mas é a realidade. Ele viverá.

Confesso te Matsinhe, a admiração que passei a nutrir por ele seguiu-se a uma espécie de medo inicial. A primeira vez que entrei em sua casa para o conhecer fiquei intrigado e, de certa forma, apreensivo. Que homem seria esse que, à entrada da sua casa, orgulhosamente escreve: "Bem ou mal, mas lutei"?

Sabia do seu passado militar, sabia dos feitos que lhe são atribuídos. Nesse ano, os jornais, a TVM trouxeram-no à ribalta para falar do Nó daquele general português que pretendia estrangular a FRELIMO em dias, que foi desatado sob suas ordens.

Esperava encontrar um homem com uma postura tipicamente militar. Ríspido. A foto de parede tirada em trajes militares patente na sala de visitas só ajudava a cimentar essa imagem. Enganei-me.

O homem que conheci era bem diferente dessa imagem: simples, afável, ponderado e de uma lucidez intelectual de fazer inveja. Falava pausado como que a medir cada palavra que dizia, como que a querer certificar-se de que era compreendido. E tinha ideias claras.

Ficamos amigos. Era meu pai também. Dizia que sogro é algo distante. Falávamos muito. Tinha orgulho do seu passado. Podia ter ficado à sombra do regulado do seu pai que era respeitado e temido em Gaza, mas preferiu juntar-se ao movimento que seu tio fundara e, tal como esse, lutar por Moçambique.

E lutou.

Se calhar hoje perceba a dimensão de "Bem ou mal, mas lutei."

Nos últimos dias vinha lutando contra um cancro. Há de ser a única batalha que o derrubou. E derrubou-o do facto. A 19 de Julho, o médico anunciou que Cândido Jeremias Mondlane já não pertencia ao mundo dos vivos. O maldito cancro derrubara o Major General (na reserva) Cândido Jeremias Mondlane.

O maldito cancro tirou do convívio dos vivos, um pai, irmão, tio; um sonhador, patriota convicto, camarada leal que mesmo passando pela maior provação nunca se virou contra a FRELIMO. Aliás, ele não era daFRELIMO, ele era a FRELIMO. Repetia isso. Da FRELIMO éramos nós, miúdos que, com calo, fruto da experiência, poderíamos ser (um dia) a FRELIMO, dizia-me.

O maldito cancro tirou do convívio dos vivos, um herói. Sim, um herói. O seu papel na luta pela libertação de Moçambique que, de certeza, não se resumirá ao capitaneamento do desmantelamento do Nó Górdio de Kaulza de Arriaga, atribuem lhe esse estatuto. Mas a história e os homens sufragarão o seu papel e nem é ou será necessário Decreto Presidencial para que esse estatuto lhe seja concedido. Ele é um herói desta pátria, é herói para os seus e os seus serão todos os moçambicanos de bem, que reconhecem e valorizam o esforço dos jovens da sua geração que abdicaram dos txilings próprios da juventude e se entregaram a causa de lutar por Moçambique, libertar a pátria.

Há de ser pelo seu papel no passado e o que ele representa para a nação que lhe foram dadas honras de Estado, do velório ao funeral, onde familiares, amigos, antigos companheiros de armas, militares da nova geração, governantes, membros de partidos políticos confluíram ao salão nobre do Conselho Municipal de Maputo e para Nhacutse onde foi sepultado, a seu pedido, para o último adeus.

Um adeus doloroso a um grande homem. É a sina da vida. Ficam as boas coisas que plantou em cada um a quem ele marcou, incluindo eu, seu filho por afinidade.

Descanse Dzovo, lutaste.

Júlio Mutisse

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Conspirações, Ano Eduardo Mondlane e Independência

Martin de Sousa Mondlane escreveu no “Notícias” de sexta-feira dia 19 de Junho, um artigo de opinião igualmente publicado no seu blog “Soldado Raso,” intitulado “Conspiração Teorizada.”

A tese do Martin Mondlane centra-se no aproveitamento político que o MDM e o seu líder, o senhor Daviz Simango têm feito do famigerado e largamente condenado atentado e da possibilidade de o tal atentado ter sido pensado, executado por gente do MDM e atribuído à Renamo, ficando Daviz Simango, mais uma vez, com a figura de coitadinho, apelando dessa forma às simpatias dos moçambicanos.

Todo o moçambicano de bom senso ficou chocado com a estória do atentado. De políticos a membros da sociedade civil (aqui para significar organizações não partidárias) foram muitas as vozes que se juntaram para condenar tão vil acto.

Apesar de ter recebido as mensagens de que o Martin de Sousa Mondlane fala no seu artigo, confesso, não me ocorreu a possibilidade de o atentado ter sido forjado. Os pronunciamentos de alguns responsáveis da Renamo empurraram me para a ideia de que esta organização assumia que o acto tinha sido protagonizada por gente sua, seja a mando de Dhlakama ou não.

Mas a Renamo é como é. Funciona como um coro desafinado, qualquer um berra em função das percepções que tem em cada momento, muitas vezes na avidez de protagonismo em situações que só a ridiculizam. Isto para dizer que, embora me pareça remota, a tese do Martin de Sousa merece algum aprofundamento.

É que, enquanto Moçambique e os moçambicanos se solidarizavam ao MDM e ao seu líder por actos atentatórios às liberdades plasmadas na constituição, o MDM e o seu líder, usavam o acontecido não no sentido da responsabilização dos autores de tão vil acto mas, sim, para mobilização dos moçambicanos para a sua causa.

De facto, a mensagem citada pelo Martin de Sousa e confirmada pelo “Reflectindo” no seu blog “Reflectindo Sobre Moçambique) segundo a qual a “democracia em Moçambique está cada vez mais a deteriorar-se só você pode salvar Moçambique “ não sugere outra coisa se não o chamamento à junção ao MDM em função do acontecido. Daí hoje me perguntar, é completamente descabida a tese do Martin?

Seja como for, a violência é de todo condenável. Aproveitar-se da violência para ganhos políticos, como plataforma de mobilização é, quanto a mim, legitimar a violência como recurso político o que é errado.

Mudemos de assunto.

Quando esta coluna sair, terei voltado ao meu dia a dia de trabalho depois de ter estado em Nwajahane. Depois de ouvir discursos exaltadores dos feitos de Eduardo Mondlane. Discursos em que se vai repetir o que se disse no simpósio de há dias e em vários outros fóruns onde se discute a vida e obra de Eduardo Mondlane.

Mas, mais do que isso, e como sugere Júlio Mutisse lá no seu blog “Ideias Subversivas” é “necessário que peguemos a construção a volta dos nossos heróis e a usemos como plataforma inspiracional para os desafios do presente e do fututo.” É necessário que ”renovemos o "Lutar por Moçambique" e coloquemos os ideais lá expressos ao serviço dos desafios do momento” ao mesmo tempo que, como sugere ainda Júlio Mutisse, “usemos o que sabemos de figuras como Filipe Samuel Magaia herói (e outros) em benefício das lutas que travamos pelo bem estar da nação, independentemente dos critérios que possam ter conduzido a sua heroificação.”

É necessário que falemos dos nossos heróis. Esta semana tem se falado, e muito, de Eduardo Mondlane. Mas, mais do que falar, é necessário que como diz Mapengo, consigamos trazer Mondlane para “lutar por Moçambique” no século XXI.

Alio me a todos os que assim pensam e coloco este desafio à nação também, porque, como diz o refrão de uma música que ouvi cantar na igreja por muito tempo (aqui adaptada a realidade política), “o sol não se põe na alvorada, a frente mais triunfos virão, se nas nossas forças confiarmos, arregaçarmos as mangas e trabalharmos, é certo que triunfaremos” (versão corecta: o sol não se põe na alvorada, a frente mais triunfos virão, se em Seu nome confiarmos, proclamarmos a salvação, o sol não se põe na alvorada).

Outro assunto.

Esta semana o país completa 34 anos após o advento de 25 de Junho de 1975. Para além de festa, a data deveria marcar um momento de reflexão sobre o que foi sonhado pelos libertadores, o que temos de momento e o que se perspectiva para o futuro.

Que país sonhou Mondlane? Se ele “acordasse” sentir-se-ia identificado com o país que somos? Onde estão os desvios? Como corrigi-los? São muitas as questões que nos podemos colocar.

É certo que há muito ainda por fazer. Mas há sinais de que as coisas começam a mudar e se olharmos a volta sentiremos esses sinais de mudança. Mas mais do que reconhecer a existência de que há ainda muito a fazer, é necessário que tracemos correctamente as prioridades e hajam estratégias claras e funcionais sobre como fazer o que identificamos como algo por fazer.

Será que o 25 de Junho nos dará essa oportunidade ou teremos que esperar as eleições?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Lembranças e Realidade Política

Era Junho, no longínquo ano de 1985 quando, por causa da barbárie que chamam de “luta pela a democracia”, cheguei (mais cedo do que se previa) a cidade de Maputo.

Para uma criança de 9 anos que vinha de Mazucane, uma localidade a 10 Km da vila sede de Mandlakazi, que aprendeu a falar e, depois, graças a Igreja do Nazareno ali bem ao lado de casa, a ler, em Changana, antes de ser entregue ao Estado para a escolarização, tudo era um choque.

O primeiro choque foi mesmo a língua; antes mesmo de interagir com vizinhos, colegas de escola, membros da igreja, elementos da família próxima e alargada já residentes em Maputo, eu, conhecedor das minhas limitações relativamente à língua portuguesa, já sentia um medo monumental da cidade. Perceberão que, para um menino que só usava (porque falar é outra coisa) o português na escola, mudar abruptamente de tal sorte que o português passe a ser a principal via de comunicação, assusta e assustaria qualquer um.

Nos primeiros tempos, tal e qual fazemos nos primeiros passos de aprendizagem de qualquer língua via me obrigado a pensar em changana para expressar a ideia em português. É claro que a ideia fulcral se dissolvia. É por estas e outras que hoje sou adepto do ensino bilingue, de modo a que nada se perca. As nossas línguas são um vector muito útil na transmissão de conhecimento. A sua secundarização é uma barreira ao conhecimento.

Depois, era tudo novo. Eu tinha saído de um meio onde somos todos família, para um meio que não me transmitia nenhuma segurança; fora de casa não encontrava a familiaridade nem atitudes a que estava habituado nas pessoas a minha volta, nem a solidariedade que caracterizava as pessoas do meio de onde vinha.

É por estas e outras que, 24 anos depois, e de alguma forma urbanizado, confesso que o campesino ainda vive em mim. 24 anos depois, não consigo ver aquele pedaço de terra como algo distante, algo do passado. Continuo me sentindo parte daquele espaço e com direito de intervir nos assuntos locais. Uma das formas de fazer isso é ir lá frequentemente.

Foi isso que fiz há dias. Precisava ver e conviver com os meus e, zás, fiz me a estrada tendo por companhia o velho Domingos Honwana, o Xidiminguana. Ele do reprodutor do carro me contava as suas histórias, me falava do seu amor pela Paulina, me contava do roubo da sua viola e, aqui, eu disse para mim, graças a Deus que te deixaram vivo oh Madala Domingos e lembrei-me do Lucky Dube; do fim trágico.

Eu e Xidiminguana vínhamos em perfeita sintonia, no meu silêncio, de vez em quando, questionava o velho Domingos sobre alguma das suas crenças mas, logo, chegávamos a um consenso. É sábio o Domingos.

O motivo da minha ida “às origens” mudou ligeiramente quando o velho Domingos cantou para mim da PUJANÇA da FRELIMO. Ele repetia que a FRELIMO espanca; prova disso é que os colonialistas fugiram daqui. Contextualizei: o Xidimi, nesta música, fala da Frente, aquela que em 10 anos espancou o colono e o expulsou destas terras e, comecei a pensar se esta máxima espancadora é aplicável à Frelimo Partido?

Distrai-me um pouco das histórias do velho Honwana e comecei a pensar no que leio nos jornais, na blogosfera, no que vejo em programas televisivos etc. Lembrei-me das reacções ao pronunciamento do Macuacua, o Edson, sobre a proeminência do Partido Frelimo e a insignificância dos demais (como se fosse exigível outro pronunciamento do secretário de propaganda de um partido, seja ele qual for), pensei no meu novo amigo no Hi5 (o Daviz) e no movimento que dirige bem como nas expectativas localizadas a sua volta.

Se olharmos para os resultados das últimas eleições autárquicas, chegamos facilmente a conclusão de que, tal como a Frente de Libertação de Moçambique, o Partido Frelimo continua pujante, ainda esmurra como sugere Xidiminguane. Mas as autarquias são pontos demasiado localizados, urbanizados até. Na minha cabeça fervilhava a pergunta: e nas zonas rurais como aquela a que me dirigia, podemos, a vontade, fazer coro com Xidiminguana e repetirmos o que o Edson Macuacua disse?

Na minha cabeça mora ainda a ideia de que é nos espaços rurais que vive a maior parte da população moçambicana e qualquer partido que pretenda conquistar o poder, mais do que conquistar algumas simpatias nos espaços urbanos através da visibilidade que a imprensa e as novas tecnologias dão, tem e deve poder penetrar nas zonas rurais e ganhar a simpatia do conjunto de compatriotas que não têm acesso às luzes da ribalta da cidade.

Descobrir quem anda por aquelas bandas da minha casa em Manjacaze passou a ser um dos meus objectivos.

Parei no Xai-Xai, encontrei ex-colegas de escola em Mazucane. Tal como eu iam para casa. Fomos conversando e lá veio a política; como é que era o movimento político no Xai-Xai e… só me falavam das actividades da Frelimo. Perguntei, mas, e… os outros? Disseram me que há bandeiras da Renamo em alguns pontos e pouco mais.

Durante a minha estadia em Mandlakazi fui conversando com muita gente que reside na zona para me inteirar do conhecimento que tem da realidade política e dos actores políticos mais relevantes. A recorrência do discurso que denota o ressentimento de, num passado recente, muitos terem perdido tudo ou quase tudo e/ou conhecerem alguém que passou por essa má experiência às mãos dos homens do tio Afonso e a simpatia por quem sempre os protegeu, que dá a cara mesmo quando, naquela zona reclamam veementemente das condições da estrada, percebi que ali, a Renamo só existe enquanto actor de uma guerra que desgraçou muitos e não como actor político a ter em conta. A Frelimo continua embalada nos braços das gentes de lá. E o MDM? Ninguém conhece.

Poder-se-á dizer: Gaza é bastião da Frelimo mas, será que aos demais não interessa penetrar nesse bastião como uma plataforma para a conquista do almejado poder? Poder-se-á dizer que há ressentimento por causa da guerra mas, onde é que não há? O que vi ali é ou não generalizável para as demais províncias? O MDM, que pretende fazer tremer a Frelimo e a Renamo, que inserção tem a nível das localidades deste Moçambique?

Começo a dar razão ao Egídio Vaz que, no seu blog, disse: “parece-me que grande parte dos que aureolam Daviz, estão tão obcecados pelo partido em si, de tal sorte que suspeito desconhecerem da verdadeira realidade que lhes espera. Pensam em última instância, que basta a fama de Daviz e a aceitação que possui na Beira, para que a mesma se irradie pelo país adentro. Parece-me a mim, terem feito uma leitura superficial e algo apaixonada da base social que os apoia para projectarem homoteticamente às realidades tão distantes das que se vive na Beira e Maputo, por exemplo. E em última instância, Daviz Simango deixou-se enganar por grupos de políticos emergentes que procuram um lugar ao sol à custa da sua imagem”

O Egídio acrescentava que “O MDM é um partido que nasce na cidade. Sabendo que a maioria da população vive no campo, qualquer partido ganhador deverá captar a simpatia destes. Portanto, logo à partida, o MDM nasce em desvantagem; digamos, sem pernas. Precisará de erguer algumas próteses para poder competir com a Renamo, a Frelimo e PDD, seus principais adversários” para além de que “a experiência recente mostra que muito dos sonhos que nascem nas cabeças dos nossos políticos na verdade não são sonhos embaçados numa visão de Estado e da nação, mas antes, ambições mesquinhas, temperadas por alguns tiques de inveja, rancor e vingança. O perfil dos principais actores envolvidos na fundação do partido de Daviz Simango anuncia uma grande dificuldade de a breve trecho o MDM poder ter a sua própria identidade. Ao explorar em demasia as suas clivagens com a Renamo e Dhlakama em particular, receio que este partido venha a perder mais tempo a justificar a razão do seu divórcio com a Renamo e seu líder do que necessariamente a proposta de linhas de governação alternativos e viáveis. Grande parte dos actuais líderes do MDM está ávida em isolar Dhlakama do que necessariamente formar e consolidar um partido político.”

Neste quadro, creio que a Frelimo tem o ringue mais do que aberto para continuar a esmurrar os seus adversários até ao KO final. Aliás, mesmo a decadência dos partidos libertadores “arautada” por alguns fazedores de opinião, vem sendo posta em causa com as retumbantes vitórias do MPLA em Angola, da própria Frelimo nas Autárquicas e/ou do ANC aqui na RSA.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

"A outra"... Dá que Pensar

Este, de certeza, não é o meu assunto predileto mas, como cidadão, desejoso de ver uma sociedade mais equilibrada não podia deixar passar. Recebi por email e achei útil dividir. Dá que pensar, principalmente porque me preparo para dar um passo importante que me torne o "próprio" de alguém oficialmente (também).
"A outra"...

Depois de ouvir na rádio o caso da rival que queimou a casa da outra, com relatos ridículos que só não dá pra rir porque duas meninas inocentes perderam a vida, decidi enviar esse texto. Vivo numa sociedade em que a mulher perdeu a auto-estima, senão virou “propriedade”do homem rico .

As mulheres da sociedade moçambicana de hoje, classificam-se a si mesmas como a "própria" ou a "outra".

Ambos grupos parecem satisfeitos com a posição que ocupa ou tentam consolar-se com a ideia que nesta sociedade há menos homens do que mulheres.

A própria portanto, são as mulheres casadas, noivas ou namoradas que por serem "oficialmente" conhecidas ou tal, cumprem os oficiosos deveres e obrigações do nome que sustentam, sem no entanto sequer usufruírem dos plenos direitos de pedir satisfações da vida do seu marido, para que não seja intituladas de possesivas, ciumentas, ou inseguras.

Que estatuto é este?

A outra, é muitas vezes uma mulher que não tendo a "capacidade" ou possibilidade de ter um compromisso sério com um homem descomprometido, sujeita-se estar ao seu dispor quando este puder ou entender estar com ela, mas não só, podem até ser mulheres casadas insatisfeitas com a relação que têm. Muitos dizem que é pela situação financeira. Se assim for, acho que quem "vende-se" por um sustento, tem outro nome........ O mais ridículo é que hoje em dia, a própria sabe que existe a outra e a outra sabe que existe a própria.

Se as mulheres procuram afirmar-se na sociedade não será esta a melhor forma. Acho que não é um problema de falta de amor de um homem, o problema de falta de amor próprio.O que existe também são homens que são pais de família e maridos, mas só de nome. Homens casados que levam vida de solteiros e pais de família que não sabem o que é um programa de fim de semana em família.

Criam-se famílias modelos. Sim, digo modelos mas é Modelos bons de fotografia, de apareceram na revista Caras. Se calhar ainda só chamam-se família porque levam o mesmo nome e vivem no mesmo tecto.

Os filhos chamam-no de pai porque foi quem os gerou (e isso é a unica coisa que o moçambicano ainda faz bem), mas além de saberem que o dever do pai é dar o sustento a casa, pouco ou nada fazem em conjunto com os pais.Ver um pai a ajudar o filho nos trabalhos de casa, só no filme Missão Impossível 4.

Pois a desculpa é que não temos tempo, trabalhamos e o engarrafamento... mas quase que instutionalizou-se que a sexta feira é dia do homem...que sinceramente cá pra mim parece que estende-se ao sábado e muitas vezes ao domingo.

Então quando é o dia de ser pai? de ser marido? se de segunda a sexta somos todos trabalhadores...
Que exemplo de família terão esses filhos?Vá lá antes, que os homens ausentavam-se porque iam a guerra, ou tinham que trabalhar fora...
A verdade é que eu acho que quando um jovem quer curtir...tem que curtir muito, e quando quer namorar tem que namorar muito, e não é quando se casam que querem curtir.
Alguma coisa esta errada nesta ordem... O que dizer dos casamentos de hoje, quando as pessoas que se casam já sabem que este relacionamento que existe é um relacionamento feito a 3 ou a 4, ou quem sabe ainda mais.
Como irão durar? Se a base de qualquer relação humana e principalmente o casamento é o respeito, que por sinal já está perdido e a confiança nem sequer existe.
Concluindo, não sou uma mulher com problemas de auto-estima, portanto não pretendo ser a própria nem a outra de ninguém, apenas eu mesma! Para uma sociedade consciente, reflicta!
Falei e disse, Maputo 2009